TEXTOS E POEMAS

Bicho cerratense

é um ente telúrico,

peripatético.

 

Aprecia o silêncio,

na vastidão do céu :

as mutações da lua

o caminho de estrelas

as cores do crepúsculo.

 

Desconfia do progresso,

foge de cidade muito grande

conturbada e ruidosa.

Lida com a tecnologia, mas

resistindo ao consumismo -

apenas o necessário.

 

Partidário da simplicidade

entra em shopping só pra

lembrar de quanta coisa

que a gente Não precisa.

 

Cultiva alguns canteiros

de flores e de amizade.

 

Ama os rios, córregos

florestas e nascentes.

 

Água cristalina

perfume de mato

árvores nativas

chapadas e arcaísmos.

 

 

Rômulo, 

ao amigo Paulo Bertran

agora em sonho.

Primeiro de janeiro

Sobre os amplíssimos vales 
a sombra clara das serras 
é tempo de minguante na Chapada.

Reinando absoluto e pulsante, 
em presença - o vasto Universo 
visível e daqui quase palpável,
corpo enigmático e luminoso.

 

Enquanto diante dele me
dou conta do meu tamanho, 
sinto seu fluxo infinito -

o sem tempo
me convida a decifrá-lo no vasto 
planisfério da noite estrelada

afinal em certa manhã

do céu cinzento, gotas

sonoras caindo devagar :

bênção da primeira chuva.

 

Logo vindo das plantas

como um sinal de vida,

os aromas se evidenciam.

 

A grama molhada mudou

de cor, a temperatura caiu.

Só energia boa, harmonia

suave perfume das árvores

brisa leve, claridade, alegria.

Romulo, 2011

Me alumbro estrellado

me duermo alunado

soleado me despierto.

Paixão passa.

O amor lava e cozinha.

 

E troca fralda

dá banho, agasalho

conta história, ensina

Cuida da tosse, da febre

da caxumba, catapora

de pereba e ziquizira

 

Por amor adia projetos

Renuncia, anos a fio...

Madruga, leva na escola

e até ouve desaforos da criatura :

pensa que já é gente.

 

Só rindo.

Romulo 

Juntos vimos a manhã de vento na areia

caminhando ao longo de uma curva de praia

grandes montanhas, pedras altas

espelhos d’água e claridade

 

Em silêncio com a sonoridade do mar

harmonizar o pensamento, trazendo pro agora.

Alongar as fibras do corpo e desfazer as tensões

Pular na água fria pra ser sacudido nas ondas :

Alegria simples de viver.

 

Encontrar uma imagem síntese que descreva

o belo perfil dessa montanha que se alonga

cravejada de pequenos quintais e telhados.

 

Entre o verde denso, as árvores, as pedras

o corpo cinzento mutante e azulado

nesse perpétuo movimento da espuma

que se lança e se recolhe em miríades

de desenhos e arabescos sinuosos.

 

Romulo, Gamboa SC

lua nova setembro 2007

Na luz da manhã

sou ainda um menino

me alegro me libero

caminho no jardim

sonho e me ilumino.

 

 

Na vertigem da tarde

adulterado me encaro

sim, acolho a minha dor

pelas ruas da cidade

toda minha alma arde.

Romulo

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