O ARTISTA

foto Isaac Amorim, A floresta-dentro, CA

Romulo trabalha com desenho, pintura, gravura, poesia visual e objetos. Costuma utilizar materiais impregnados pelo tempo: madeiras nobres, metal oxidado, papel feito à mão, tecido, pedras que guardam e evocam a memória da Terra... A partir de uma longa pesquisa, prepara suas tintas e cores com pigmento mineral. Gosta de pintar sobre papel, sobre telas que ele mesmo prepara e lonas de grande formato. 

 

Há uma certa transcendência em suas obras. Seu radar existencial  capta e afirma um sentido de nossa ancestralidade, algo que remete à linguagem mito poética do imaginário indígena. Se inspira em alguns sítios arqueológicos que visitou em viagens pela floresta amazônica, pelo cerrado e que estão presentes ha milênios em todo o continente sul americano. Engendra imagens que dialogam com esse plano visionário da memória e dos sonhos. Suas obras se aproximam da dimensão mágica dos povos ameríndios, da espiritualidade telúrica dos pajés e médicos de almas. Uma forte conexão com a Natureza, em todos os seus aspectos: a floresta, os rios, a chuva, as árvores, as pedras, os bichos... dom que vem de uma longa convivência com os mestres curandeiros e remete aos selvagens do futuro. 

Nasceu em Niterói – RJ em março de 1954. Viveu os melhores anos da infância em Jacarepaguá, zona rural do Rio de Janeiro, no seio de uma família muito musical. Teve a sua iniciação artística na juventude, onde viveu entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Muda-se para Brasília em 1975, com um grupo de poetas, escritores, artistas e astrólogos dentro do movimento da contracultura, atraídos pela força e a luz do Planalto Central.

Em 77/ 78 participa do Centro de Criatividade, projeto de formação artística e cultural que iniciou uma geração de jovens artistas, com excelentes professores herdeiros de um legado do início do IDA, Instituto de Artes da UnB. 

 

Em 1985 forma-se em Artes Plásticas pela UnB. Após sua graduação continua seus estudos com reconhecidos mestres e artistas brasileiros, aprimorando-se no desenho, na aquarela, na  gravura e serigrafia entre outras linguagens e poéticas visuais.

 

Defensor do ambiente, da cultura e da educação através da Arte, participa desde meados dos anos 80 de um coletivo dos Artistas pela Natureza, através de diversas ações educativas, projetos e parcerias.

 

‘’ O grande Oeste nos falava de memória, tempo, viajantes, culturas. Os desenhos de Rômulo do final dos anos 70,

feitos no aerógrafo vão sendo elaborados, dialogando com têxteis e grafismos indígenas. Uma arara atravessa o grande círculo do céu. Os blocos de Brasília recortam o expressivo relevo do cerrado. O céu de são João ilumina de bandeiras e balões o ondulado horizonte do Planalto Central.  Salamandras de fogo convivem com calangos. As árvores retorcidas contrastam com a amplidão do céu de maio. Búzios revelam lembranças de um mar distante, mas que permanece presente na memória. Signos ancestrais da Amazônia, de sítios arqueológicos do rio Negro, do Xingu apontam para uma busca de raízes brasileiras. Palavra, gesto, forma, matéria conversam com a história das pessoas, o estudo das plantas nativas, a aprendizagem dos bichos desta região de muitas águas, ponto de convergência de muitos caminhos. Rômulo se reconhece nas cores da tapiocanga, óxidos minerais da terra do cerrado e a descoberta de sua nação o faz universal. 

 

Ao longo dos anos, no dia-a-dia, sua presença sugere sensibilidade, inquietação e busca (como ele próprio diz) pelo Belo, o Bom e o Justo. Pela Arte, Rômulo sinaliza a urgência e a possibilidade de uma visão mais consciente e sustentável do mundo. Uma convivência alegre, prazeirosa e mais delicada, cuidadosa com cada um e com a Terra, o ambiente que habitamos e construímos. Os amigos e companheiros, os filhos e filhas, os alunos, agradecem e partilham esse projeto de mundo e as práticas de todo dia. Suas flautas luminosas sinalizam o caminho e as bandeiras do Divino, o Espírito Santo que nos proteja.’’

 

Ivany Camara Neiva, amiga socióloga e historiadora cultural.

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